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segunda-feira, 9 de março de 2009

Onde ficou o pulsar?


Nitin Sawhney em Lisboa
Concerto em retrospectiva

Nitin Sawhney esteve em Lisboa para um concerto global, mas sem a energia que se esperava. Na passada terça-feira, o Coliseu de Lisboa encheu e à hora marcada começou um concerto que durou pouco mais de 1hora e quinze minutos e que não se conseguiu aproximar da intensidade de qualquer um dos outros espectáculos já realizados, pelo músico, em Portugal. Valem-nos os álbuns que continuam a revelar um imenso talento.

O músico inglês de origem indiana Nitin Sawhney é considerado um dos mais talentosos e criativos nomes do panorama da música actual, tendo já desenvolvido trabalho como dj, produtor, músico, multi-instrumentista e orquestrador. Com uma linguagem musical única, incorpora na sua sonoridade influências de todo o mundo e uma série de géneros musicais – sonoridades asiáticas, ritmos latinos, drum n’bass, jazz, hip-hop, club, chill-out e world music. Com sete álbuns editados, todos aclamados pela crítica, Sawhney veio para promover o seu trabalho mais recente “London Undersound”.
Este álbum faz-nos reflectir, sendo ele próprio uma reflexão musical, sobre as mudanças sentidas na cidade inglesa nos últimos anos, principalmente desde os atentados de 7 de Julho de 2005. No interior do disco podemos ler: “London’s Heartbeat his Changed. Within that Heartbeat there lies a feeling, a collective consciousness, the uniting hum of disparate voices waiting to be heard. A sound.”. É verdade que Londres tem um carácter cosmopolita, que se traduz numa sonoridade muito própira, ecléctica, que revela diversidade, num pulsar de uma cidade onde a música está muito presente. Através deste álbum, Nitin procura uma vez mais a reflexão social e política, uma viagem a diversas identidades culturais, e muito pela quantidade e qualidade dos convidados que participam neste trabalho, consegue dar-nos uma colecção de pensamentos, de ideias e de sentimentos, exactamente como queria. Transmitir a imensa diversidade da cidade que ele próprio viveu e que sente que mudou.
Mas esse beat que consegue no disco, mesmo em canções que apresentou em concerto no Coliseu, como “Days of Fire”, com Natty (que infelizmente não veio a este palco) ou “October Daze”, cantada pela própria Tina Grace, acabou por se perder neste espaço lisboeta. O pulsar não ecoou pelo Coliseu e a energia estava em baixo.
Nitin Sawhney entrou no palco para encher de espiritualidade uma noite de quase primavera, pelo menos essa era a promessa. Os factores adversos em muito devem ter contribuido negativamente para a sua prestação: problemas vocais provocados pela inflamação da garganta, questões técnicas pouco favoráveis e a falta do vocalista indiano que o acompanha na digressão, deportado uns dias antes. Mas estes factores foram mesmo marcantes e parecem ter contribuido para uma perda de energia notória na prestação de Nitin Sawhney. O palco contava com a presença de Nitin, maioritamente na guitarra acústica, com apontamentos nas teclas de vez a vez; com o baterista, o percusionista e o violoncelista. Nas vozes estiveram Luci Jules e Tina Grace, a assegurar, com profissionalismo, as canções, mas foi notória a falta de uma voz masculina.
O concerto foi homogéneo, sem grandes pontos altos, mas com bastantes regressos a álbuns anteriores, como foi o caso de “Sunset”, de “Prophesy”, “Immigrant”, de “Beyond Skin”, dedicada ao vocalista deportado, e “The Conference” tirada também desse mesmo álbum. Mesmo estes recuos na sua história discográfica não faziam sentido e não encaixam na postura de Nitin, de alguém com um percurso marcado e com um novo álbum na bagagem. A procura de um ganhar de território, certamente já conquistado, fizeram com que se perdesse energia. Até “Dead Man”, de “Philtre” perdeu o seu rasgo na voz de Luci Jules. Até “Homeland” do antigo “Beyond Skin” foi tocada duas vezes, uma como despedida, o que de facto nos faz questionar qual o intuíto desta digressão. De “London Undersound” ouviu-se "October Daze", a acutilância de "Days of Fire", uma homenagem ao brasileiro Jean Charles De Menezes abatido a tiro por engano pela polícia no metro londrino, mas à qual faltou a intensidade de Natty, e "Distant Dreams".
É inegável a qualidade do músico, os momentos de fusão de músicas e a globalidade das sonoridades, mesmo neste concerto, mas parece ter sido tudo feito a lume brando, mas sem a capacidade de apurar. Espera-se um melhor regresso para uma próxima vez. Até lá ouve-se o heartbeat conseguido em “London Undersound”.


ANA MARIA DUARTE
Artigo publicado no Jornal Semanário (27.02.2009)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Uma representação do canto do Brasil


Maria Bethânia em 2009
Referência obrigatória da música brasileira

A incrível cantora brasileira, Maria Bethânia vem a Portugal apresentar um espectáculo onde revisitará todos os grandes êxitos de uma carreira recheada de sucessos. Ao longo da sua carreira, colaborou com músicos de referência no Brasil como Edu Lobo, Gilberto Gil, Tom Zé e o irmão Caetano Veloso.
Os seus trabalhos de originais mais recentes são “Pirata” e “Mar de Sophia” de 2006, num dos quais a cantora baiana canta o mar da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen. Distinguida com o Prémio Shell de Música, Bethânia é uma das cantoras que mais disco vende no Brasil, alguns dos quais “Alibi” (1978), “Talismã” (1980), “Âmbar” (1996) e “A força que nunca seca” (1998), entre outros.
Os concertos realizam-se nos dias 27 e 28 de Fevereiro no Coliseu de Lisboa. Os bilhetes já estão à venda, nos locais habituais, e custam entre 20 e 65 euros.

Maria Bethânia é referência obrigatória em qualquer citação à música brasileira a partir dos anos 60. Conforme bem observou a escritora e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon, no seu ensaio sobre a artista, “há que se ouvir esta brasileira universal. Cantora maior da cena humana, cuja arte, incorruptível, explica um país e um povo. Porque quando Maria Bethânia entoa seu canto, ela representa o Brasil. Ela consolida no palco a língua das nossas emoções”.
Aquela que é considerada uma das divas da Bahia, Bethânia saiu de lá em 1964, era uma menina com 17 anos. Partiu para cantar no show “Opinião” e alcançar o sucesso, traçando a partir daí uma trajectória singular na história do espectáculo brasileiro. Actualmente, aos 44 anos de carreira, que está no seu auge.
Ao longo dessas mais de quatro décadas, seja tornando-se a primeira cantora brasileira a romper a marca de um milhão de discos vendidos, seja arrebatando plateias mundo fora, com o seu jeito único de estar em palco – o “padrão Bethânia” de espectáculos, que coaduna música e elementos de teatro, Maria Bethânia, sempre coerente e fiel às suas escolhas artísticas, conquistou e manteve um público fiel.
Com o passar do tempo ela amadureceu, melhorou, cresceu enquanto pessoa e enquanto artista, e, actualmente, conquista cada vez mais novos admiradores que acompanham atentamente cada novo passo da sua arte, ou como resumiu o jornalista e produtor musical Nelson Mota, “uma incessante criação de beleza e emoção, ao longo de uma carreira que fez dela uma das artistas mais respeitadas e admiradas não só pelo público e pela crítica, mas pelos compositores, letristas e cantores de vários e estilos e gerações”.
Dois eventos, só para citar os mais recentes, ambos realizados em Setembro do ano passado, no Rio de Janeiro, comprovam-no no dia 9, Maria Bethânia recebeu o Prémio Shell de Música, tornando-se a primeira intérprete agraciada com um prémio antes restrito somente a compositores.
Já no dia 25, a cantora apresentou o seu show Brasileirinho numa noite de beneficência em prol do Hospital Pró-Criança Cardíaca, no Theatro Municipal. Nos dois casos, patrocinadores e instituições envolvidas tiveram um excelente retorno mediático e agregaram credibilidade e prestígio às suas respectivas propostas, mesmo sendo de naturezas completamente opostas.
Nos últimos anos, Maria Bethânia tem-se debruçado em projectos inovadores que, em comum, falam muito sobre o Brasil: segundo o poeta Ferreira Goulart, “uma de nossas cantoras mais brilhantes, criativas e autênticas, em que se juntam a sensibilidade musical e a profunda identificação com seu povo, sua cultura, suas raízes brasileiras”.
Esta maneira muito própria de cantar a alma brasileira vem rendendo à cantora não só a consagração junto do público e da crítica, mas também os mais importantes prémios da música nacional: Prémio TIM de Música; APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Prémio Rival, só para citar os principais. Como definiu o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, “Bethânia traça, há mais de 40 anos, música por música, disco após disco, show a show, a mais inteligente história sentimental do brasileiro”.
Duas noites possíveis, uma escolha entre duas, mas uma certeza. Vale a pena ir ver a diva Maria Bethânia e deixar ecoar a sua voz.
Ana Maria Duarte
Artigo publicado em Jornal Semanário (31.12.2008)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Mr. Antony Hegarty está de volta a Portugal


Antony actuará em Lisboa e no Porto durante o próximo ano. A acompanhá-lo vêm os The Johnsons, para a apresentação do novo álbum, “The Crying Light”. Grande notícia antes do final do ano, já em planeamento do próximo há tanto tempo.
Em 1998, Antony and The Johnsons editaram o primeiro álbum, homónimo. Nessa altura, nem todos estavam preparados para o ouvir, nem aceitar a sua singularidade. O seu lugar foi sendo conquistado, aos poucos, começando a ser reconhecido pelas suas múltiplas colaborações com as Cocorosie, com Devendra, entre outros. Hoje são uma banda de culto na música alternativa. Foi preciso esperar sete anos por um novo álbum de originais, mas a espera foi proveitosa. “I am a Bird Now” é um dos discos mais marcantes dos últimos anos e valeu à banda o Mercury Music Prize.
À semelhança do primeiro disco, “I am a Bird Now” foi escrito na íntegra por Antony Hegarty, mas graças ao sucesso do primeiro álbum, foi possível colaborar com artistas de grande renome, como Lou Reed, Boy George, Rufus Wainwright e Devendra Banhart para colaborarem nas gravações.
Depois da recente e muito aclamada colaboração de Hegarty com os Hercules & Love Affair, o músico lançou-se na gravação dum novo álbum, “The Crying Light” que será editado no início de 2009.
Numa progressão natural do EP “Another World”, a capa do álbum inclui um retrato de 1977 de Kazuo Ohno, um dos co-fundadores e mais reconhecidos bailarinos de Butoh, tirada por Naoya Ikegami em Tóquio.
No retrato, Kazuo Ohno é representado a tentar alcançar a luz, com o rosto e a postura reclinada a ecoarem elementos de berço e sepultura. A vida, a morte e a transcendência estão certamente evocadas neste retrato.
Venha o mês de Maio e esse álbum que a ânsia é grande. Os concertos serão nos dias 14 de Maio no Coliseu de Lisboa e 18 de Maio no Coliseu do Porto. Os bilhetes custam entre 20 e 50 euros, dependendo da proximidade física relativa a Antony e já estão à venda nos locais habituais.

ANA MARIA DUARTE

Artigo publicado no Jornal Semanário (24.12.2008)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O regresso do carisma


Uma boa notícia chegou esta semana. Os Tindersticks voltarão a Lisboa. A cidade ansiava pelo regresso e agora sabe-se que a banda, liderada pela voz inconfundível do carismático Stuart A. Staples, apresentará o novo álbum “The Hungry Saw” no Coliseu de Lisboa, num concerto agendado para dia 13 de Fevereiro de 2009.
Os britânicos Tindersticks são um daqueles casos raros de amor que o público português devota a uma banda. Desde que editaram os dois primeiros álbuns, ambos homónimos, que os Tindersticks têm vindo a ser alvo de um culto crescente em Portugal. O sucesso mais alargado surgiu com o quarto álbum, “Simple Pleasures” (1999), onde os Tindersticks acrescentaram alguns elementos soul à sua música, como o uso de coros femininos.
Em 2005, Stuart A. Staples decidiu fazer música por conta própria e editar dois álbuns de originais: “Lucky Dog Recordings 03-04” e “Leaving Songs”. Nessa altura veio a Lisboa, para um concerto a solo na Aula Magna. O homem tem mesmo Groove no corpo. Apesar de muito se ter especulado sobre o final dos Tindersticks, a banda regressou aos concertos em 2006.
Com a formação reduzida a três elementos, editaram em Abril deste ano o sétimo álbum de originais, “The Hungry Saw”, que vêm apresentar a Portugal, dia 13 de Fevereiro no Coliseu de Lisboa. Bilhetes entre os 22 e os 40 euros. Imperdível, imperdoável ausência.

ANA MARIA DUARTE

Artigo publicado no Jornal Semanário (ed. 21.11.2008)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nneka e Thievery Corporation agitaram as noites

Mood dança, dádivas de energia

Lisboa anda a ser invadida por concertos inacreditáveis com festas garantidas. Tanto os Thievery como Nneka tinham estado este ano em Portugal, em festivais de Verão. Ambos voltaram ainda mesmo antes do final de ano. No passado dia 19 de Outubro, o Coliseu encheu para receber os Thievery Corporation. Na passada 3ª feira, o Lux apresentou uma casa cheia para ouvir e sentir a música de Nneka. Com linguagens musicais totalmente distintas, estes dois mundos apresentaram coisas em comum: noites inesquecíveis, dádivas de concertos de qualidade onde se transpirou boa vibração e onde se dançou até não se poder mais.


Thievery aquecem a noite
Depois de terem encerrado a edição deste ano do festival Paredes de Coura, Eric Hilton e Rob Garza, mais conhecidos como Thievery Corporation, regressaram a solo nacional para um concerto em nome próprio. Trouxeram na bagagem uma mão cheia de convidados para apresentar o novo álbum “Radio Retaliation”, através de temas como “Vampires”. A multiculturalidade do projecto foi tomando voz através de vários sotaques de diferentes vocalistas, passando por momentos de percussão africana, sons orientais, dança do ventre e reggae. No fundo do palco, junto à dupla que deixou a boca de cena para o foco nos vários convidados, passavam imagens de populações de vários países e da própria banda, que já no fim confessou que Lisboa é uma das suas cidades preferidas, com a mística inerente de ter sido a urbe de estreia onde tocaram quando vieram pela primeira vez à Europa.
A festa foi-se fazendo de sorriso nos lábios e muita dança nas ancas. O calor que se fazia sentir no Coliseu misturava-se com o espírito de intervenção de “Revolution Solution” e "El Pueblo Unido", apresentado já quase no final do espectáculo. Já no encore, depois de duas horas e muito de concerto, tocaram "The Richest Man in Babylon", mas as almas estavam sedentas de mais e os corpos queriam dançar até ao fim da noite. A banda regressou para um segundo encore no qual oferece o intimista “Marching the Hate Machines”, antes de saírem. As luzes do tecto acenderam, mas eles voltaram para mais um tema não programado, apresentado pela cantora brasileira, que veio “substituir” Seu Jorge em alguns temas. “Sol Tapado” foi a canção escolhida para o fim de um concerto suculento. Extasiante, essa noite de domingo, em que quando saímos ainda se sentia o calor.


Animal de palco, Nneka tem atitude
Nneka esteve este verão no Sudoeste. Voltou agora para dois concertos. Veio da Nigéria, passando pela Alemanha e aterrou no Porto. A invicta foi convencida na noite anterior ao Lux. O piso inferior da discoteca estava a rebentar pelas costuras mesmo antes do concerto começar. Ao som dos ritmos reggae, hip-hop e soul, a artista revelou-se uma mulher, com cara de miúda, cheia de atitude e feeling na voz. «No Longer at Ease» era o mote. De punho erguido, foi usando os interlúdios para os seus manifestos políticos. Apesar de muitos não estarem claramente com vontade de os ouvir e estarem apenas lá para a festa, essa é a essência de Nneka e sem ela seria tudo menos intenso. É por essa vontade de se manifestar, de protestar contra as petrolíferas e de sentir tão penosamente a fome em África, que Nneka se torna tão genuína.
Com ritmo na cintura e de olhos fechados, ergue os seus pensamentos e canta com alma. Nneka é muitas vezes comparada a Lauryn Hill ou Ursula Rucker, mas ela é um pouco delas e muito mais que isso. Entre o comprometimento político e uma linguagem sonora muito bem conseguida, conquistou o seu espaço. O palco do Lux fica-lhe bem, melhor ainda se fosse um ainda mais pequeno ou estreito clube nocturno. Na sala estremeceu-se e transpirou-se dança em versão rendida. Eu rendi-me à sua atitude de manifestação de quem balança num mix urbano-africano. Ela é transversal. A sua entrega tão imensa num corpo tão pequeno, mostra-a enquanto animal de palco. As suas canções são lançadas ao mundo. O modo como as recebem é que pode ser diferente. A rapariga volta em Março.


ANA MARIA DUARTE
Artigo publicado no Jornal Semanário (ed.31.10.2008)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Rock Folk de Outono


Aimee Mann esteve no Coliseu de Lisboa no passado sábado para um concerto feito de melodias suaves compostas na sua guitarra e cantadas pela sua doce voz. A sala não estava cheia, o concerto não foi muito longo, mas teve a duração certa para encantar e deixar vontade de ouvir o álbum. Simpática e comunicativa, Aimee foi contando as suas histórias, numa noite quente de Outono, num tom rock-folk.
Antes da entrada de Aimee Mann, Tiago Bettencourt apareceu a solo, para umas canções à guitarra e ao piano. Uma boa surpresa, principalmente a versão lírica e ao piano de “Chaga” dos Ornatos Violeta.


Depois de ter deixado o palco, com uma “desculpa” de tom humorístico de que a Aimee já o estava a chamar, o palco foi preenchido pela loura de sorriso simpático e ar descontraído. Ela já tinha estado nesta mesma sala durante o ano de 2007 e regressou, dizendo que esta era um dos sítios que mais gostava. Estes elogios vieram na continuidade do que foi dizendo à imprensa nas mais recentes entrevistas, que realmente gosta desta cidade. Natural. Já na faixa dos 40 anos, Aimee Mann é uma mulher esguia e com atitude em palco. A sua voz é acompanhada por dois teclistas, um baterista e um guitarrista, e ela funciona como um membro da banda e não como uma estrela. Ela é profissional e isso passa para quem a vê. Não é mau, nem todos os artistas têm de ter alto carisma ou um mistério no seu olhar, mesmo quando as músicas nos passam isso. Ali, em palco, ela é alguém que veio tocar as suas músicas, veio mostrar o seu trabalho.


Começou por “Stranger into Starman” e “Looking for nothing” do novo álbum “Smilers”, assim como “Freeway”. “31” deste álbum, que fala da crise dos 30 foi uma das melhores. “Red Wines” foi um dos momentos mais intimistas, apresentada só com uma guitarra acústica. Ainda bem que o concerto foi composto por uma maioria de novas canções, mas não faltaram as recordações da banda sonora de Magnolia, que a tornou conhecida. “Save Me” teve direito a uma versão mais descontraída e “Wise Up” marcou uma presença mais sumida.


Na plateia a faixa etária também era menos jovem, mas tinha uma onda muito pop e encantadora. Ouviram-se alguns comentários de que o primeiro concerto teria sido mais envolvente, mas talvez fosse o público que estivesse menos entusiasmado por já não ser a primeira vez. Antes do encore ouviram-se "Today's The Day", do álbum “Lost in Space”, de 2002, e "How Am I Different?”. O regresso ao palco deu-se com “One” e o adeus com “Deathly”.

ANA MARIA DUARTE
Artigo publicado no Jornal Semanário (ed.24.10.2008)